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D. Manuel Martins, que a sua voz nos inspire a sintonizar a nossa consciência

Segunda-feira, 25.09.17

 

 

  

D. Manuel Martins, que a sua voz nos inspire a sintonizar a nossa consciência...

 

Num mundo e numa Europa que está a esquecer o valor essencial da vida, que exclui os mais frágeis, que se está a organizar para excluir todos os que não lhe servem nos seus objectivos imediatos de acumulação de riqueza.

As próprias lideranças políticas, dos partidos que se consideravam democratas, ao seguir a lógica financeira dos grandes bancos e das grandes empresas, perderam a credibilidade e, nalguns casos, estão a perder a legitimidade. Abriram as portas à alienação cultural política, à revolta mal dirigida, porque as pessoas se sentiram abandonadas e esquecidas.

 

Em breve veremos análises políticas a deformar as causas da presença de partidos não democratas nos parlamentos. Em breve ouviremos o impensável, que a razão desta desgraça europeia está na abertura aos refugisdos.

Nada mais errado e perverso. A razão é económica e está nas desigualdades sociais. Desigualdades sociais que os partidos que se consideram democratas ajudaram a criar e a reforçar, pressionados pela cultura financeira da União Europeia.

Desigualdades sociais que se reforçaram depois da austeridade e que agora se estão a organizar à volta do "trabalho alugado" à hora e da automação. É este o verdadeiro motor da actual propaganda pelo UBI (universal basic income). Propor aos cidadãos uma espécie de subsídio vital (para comer, pois não dará para se abrigar), a que chamam cinicamente de "dinheiro grátis", em troca da sua alma, ou seja, da sua razão para viver. Porque sem a dignidade da autonomia, da pertença a uma comunidade, o que resta a uma vida humana?

 

D. Manuel Martins sempre esteve atento a essa realidade cruel. Em Setúbal foi uma voz isolada a lembrar todos os abandonados e esquecidos no tempo do cavaquismo.

D. Manuel Martins sentia as "dores do mundo", mas não se ficava por aí. Erguia a sua voz, e mesmo quando o chamaram "bispo vermelho" não se importou, pois afinal "vermelho é o sangue", ou seja, o sangue que nos corre a todos nas veias, irmanados na mesma condição humana.

Esse foi o percurso de D. Manuel Martins, essa foi a razão da sua vida, essa foi a sua escolha da consciência.

E qual é a nossa?

Inspirados na sua voz, cada um no seu papel, podemos sintonizar a nossa consciência para o valor essencial da vida.

E o valor essencial da vida é a abertura cultural à diversidade, porque a vida é diversidade, não é uniformidade.

O valor essencial da vida é a descodificação cultural do preconceito, porque a vida não se estrutura segundo exclusividades selectivas. Um organismo morre se uma parte de si adoece e não é tratada. O mesmo serve para as células que se desorganizam ou para vasos sanguíneos que se cortam, etc.

A vida organiza-se na aceitação de todos e de cada um, porque a vida é interacção e equilíbrio.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:07

O Papa Francisco e a visão da realidade

Quinta-feira, 28.07.16

 

 

A caminho da Polónia o Papa Francisco fala aos jornalistas sobre a verdadeira guerra no mundo: a dos interesses financeiros, a das gritantes desigualdades sociais, a da voracidade na apropriação dos recursos naturais.

O Papa esclarece que a guerra não é entre religiões, esta afirmação é central para podermos compreender o que se passa actualmente no mundo, esta violência sem sentido contra pessoas comuns, este fascínio doente pela morte.


A insanidade que vemos acontecer em ataques isolados é da mesma raiz do mal presente na lógica financeira que espalha pobreza e fome.

É esta visão da realidade que o Papa nos traz uma vez mais. Um convite a observarmos atentamente o que se passa, um desafio a não nos deixarmos alienar pela informação propagada pelos media.


Que neste Jubileu da Misericórdia as pessoas comuns abram a sua consciência à visão da realidade e abracem a sua condição de cidadãos do mundo, de uma mesma humanidade.

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 22:00

Eleições legislativas: o grupo dos Indecisos

Terça-feira, 29.09.15

Ora aqui está o grupo que vai decidir as próximas legislativas: o grupo dos Indecisos. Segundo uma sondagem recente (ontem) este grupo começou a descer para os 21% (!) e, com eles, a diferença da dupla PSD/CDS em relação ao PS.

 

Mas vejamos agora as vantagens de passar a pertencer a este grupo dos Indecisos ou dos que Não Respondem:

- as emoções estão ao rubro, os "a favor da dupla PSD/CDS" e os "contra a dupla PSD/CDS", a tal ponto que dizer-se do grupo dos Indecisos ou dos que Não Respondem é a posição mais inteligente: não "há pratos a voar lá em casa", como diz o Papa sobre certos dias difíceis nas famílias;

- divertimos-nos com as técnicas de sedução política de personagens que enganaram os cidadãos, assustaram os cidadãos, humilharam os cidadãos, e roubaram os cidadãos no seu presente, no seu futuro, e no futuro dos seus filhos. É até patético ver esta dupla dirigir-se à "classe média" como se ainda existisse uma verdadeira classe média, e não nos tivéssemos transformado num país de enormes diferenças sociais;

- a 5 dias do dia da votação é este grupo de Indecisos ou dos que Não Respondem que garante o suspense: afinal quem é que irá gerir os danos provocados pela dupla que abraçou a troika a tal ponto que "foi além da troika" porque os cidadãos "não são piegas" e, segundo um banqueiro, "aguentam, aguentam"?


É a vez dos cidadãos colocarem a dupla PSD/CDS a suar e a tremer, mantendo o suspense até ao fim. 

É a vez dos cidadãos lhes responderem à humilhação que lhes impuseram, "cortes", "impostos", "sacrifícios", para alimentar a finança e satisfazer "os mercados".

É a vez dos cidadãos utilizarem o pequeno e breve poder que mantêm, o de escolher os próximos gestores políticos.

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

 



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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:11

"E ninguém se revolta com isto?" (Bagão Félix, sobre o PEC)

Quinta-feira, 18.03.10

 

Ontem ainda consegui assistir aos resumos do debate na AR sobre o PEC, a constituição de uma comissão de inquérito e as trocas acesas entre Marques Guedes e José Lello. E consegui ainda perceber, numa notícia de um dos telejornais, que surgiram problemas nas negociações dos sindicatos dos professores com a ministra da Educação. E ainda ouvi Carvalho da Silva sobre o PEC. Que o povo se iria mobilizar. Mas desta vez não me soou a PREC, apenas me lembrei do que Medina Carreira anda a dizer há 2 ou 3 anos: as pessoas vão-se revoltar perante estas enormes diferenças sociais.

 

Em relação ao debate na AR: sobre o PEC, esse estado novo reeditado, irei falar a seguir, sobre a comissão de inquérito apenas dizer que é uma das funções de um parlamento numa democracia. E sobre a divergência entre os dois deputados: o PS, à falta de argumentos, quer colar o PSD à falta de liberdade de expressão interna. É risível. O PSD é o partido que mais pratica a liberdade de expressão. A norma estatutária que tem dado tanto alarido dirige-se apenas aos ilustres que se põem a criticar as orientações do próprio partido nas televisões, em vez de o fazer dentro do partido, como aliás deve ser.

Assim, José Lello teve de se confrontar com a sua contradição, pois referiu, num debate televisivo, que Manuel Alegre tinha falta de carácter. E porquê? Porque se distanciou uma ou duas vezes da orientação oficial do PS. Resultado: José Lello ficou vermelho e teve de engolir a verdade sobre a magnífica liberdade de expressão dentro do PS. 

Mas mesmo na discussão sobre o PEC e sobre a constituição da comissão de inquérito, a argumentação do PS baseou-se no seguinte: trata-se de uma perseguição ao PM e o PSD sofre de asfixia democrática. É esta a argumentação do PS, nada mais.

 

Depois destes resumos, passei à Sic Notícias e ainda vi e ouvi o final da entrevista de Mário Crespo a Bagão Félix. O que lamentei não ter conseguido apanhar toda a entrevista...

Foi reconfortante ouvi-lo, porque fora Medina Carreira e uma ou outra voz mais lúcida, ninguém fala assim no país.

Consegui registar esta frase sobre o PEC, aí vai:

Este PEC é muito presente nos impostos, vago na despesa, omisso na poupança e ausente na economia.

Isto diz tudo. Mas há mais:

O PEC é contra a família. Bagão Félix explica que o PEC trata de forma igual famílias com muitos filhos e as restantes famílias.

Em relação aos reformados: Então os desgraçados com as pensões mais baixas, de 187 euros, vão ver as suas pensões congeladas até 2013?

O país precisa de um reforço de decência. Há muita falta de decência no nosso país.

É um Bagão Félix perplexo e emocionado que pergunta quase no final: 

E ninguém se revolta com isto?

Onde está a Igreja? Está anestesiada? No meu tempo de ministro e no tempo de Guterres, ainda saíam umas Notas Pastorais...

 

Com estas frases registadas nos neurónios, passei para as únicas séries televisivas que acompanho, Life on Mars e Lie to me, que preenchem actualmente o meu serão das 4ªs feiras.

No final, ainda consegui ouvir um Manuel Villaverde Cabral muito inflamado nos segundos finais do programa Roda Livre da TVI 24: Não é certo que quem romper com esta paz podre vá ser penalizado... penso que se referiu ao Presidente, porque falou em reeleição.

Porque é que será que juntaram todos os programas interessantes nas 4ªs feiras à noite? A ver se consigo ver a repetição do Roda Livre na TVI 24 às 13 e pouco. E a ver se voltam a passar na SIC excertos da entrevista a Bagão Félix.

 

Sim, este é o estado novo reeditado. Bem pior do que na primavera marcelista em que a Igreja tinha uma voz pelos mais desprotegidos da comunidade. E as elites culturais tinham um papel muito significativo. Nunca aliás houve tanta energia vital, tanta criatividade, tanto entusiasmo, tanta esperança... Talvez não seja por acaso que os jovens estão a recuperar Ary dos Santos.

Quanto ao poeta da Trova do Vento Que Passa... que me levou a votar em 2006, numa recaída patética na nostalgia de um tempo que passou para sempre (os trovadores de Coimbra dos anos 70), já não convence ninguém. Essa Trova é como o PS e o socialismo: um equívoco.

 

 

 

Dois dias depois: Quanto à Igreja, seria injusto não referir aqui as vozes dessa igreja viva, essa luz acesa, de D. Manuel Martins, D. Januário Torgal Ferreira e D. Carlos Azevedo. Haverá outras vozes certamente, mas estas foram as que eu ouvi.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:48








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